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Clima, preço das propriedades e cultura e populações locais. Estes são os três factores privilegiados por quem pretende comprar uma segunda habitação em Portugal, designadamente no Algarve, segundo um estudo da ILM-THR. Quanto ao perfil do potencial proprietário turístico, é referenciado que se trata de um indivíduo mais jovem do que o actual proprietário, com família e filhos dependentes, mas com rendimentos mais elevados.
Já na sua segunda edição, o estudo «ILM-THR Residential Tourism Monitor» analisou a “procura de turismo residencial numa perspectiva de caracterização do actual e potencial proprietário de imobiliário turístico” nas principais regiões do Algarve, revelou, ao PÚBLICO Imobiliário, Andrew Coutts, CEO da ILM-THR. (ver entrevista)
Um dos primeiros aspectos em análise prendeu-se com os principais países emissores de compradores de segunda habitação no Algarve. Portugal (41,1 por cento), Reino Unido (29,5 por cento) e Irlanda (7 por cento) continuam em destaque nesta lista, onde a Alemanha (5,6 por cento), Benelux (4,8 por cento), Espanha (3,6 por cento) e a Escandinávia (3,5 por cento) têm vindo a ganhar importância e alguma quota de mercado.
Aliás, a crise financeira que assola as principais economias mundiais poderá acelerar esta mudança de figurino, até porque ingleses e irlandeses têm sido dos mais prejudicados com o cenário actual – os bancos destes dois países estão a dificultar o acesso ao crédito para compra de casa.
Entre os inquiridos por este estudo, foi possível concluir que 46,1 por cento são proprietários de um apartamento, 29,5 por cento de uma moradia, 14,2 por cento de uma moradia geminada e 9,2 por cento de uma moradia em banda. É de sublinhar que a maioria dos terrenos das propriedades identificadas têm menos de 149 m² ou entre 150 a 299 m², sendo que as tipologias mais comuns são os T2 e T3 (78,6 por cento do total de inquiridos).
Quanto ao perfil sócio-económico destes indivíduos, são destacadas “as diferenças significativas nas nacionalidades dos entrevistados, consoante o local de inquirição. Os inquiridos no Eastern Algarve (Alcoutim, Castro Marim, Olhão, São Brás de Alportel, Tavira e Vila Real de Santo António) são mais jovens do que nos restantes locais de inquirição, e na zona do Aeroporto são tendencialmente mais idosos relativamente aos valores médios. O nível literário subdivide-se entre nível secundário/avançado e grau superior, sendo a formação superior maioritária nos inquiridos da região do Eastern Algarve, e o nível secundário nos do Aeroporto”, constata Andrew Cowtts.
Os chamados ‘empreendimentos abertos’, baseados na autenticidade local, são cada vez mais os preferidos por quem compra nesta região do país. Na prática, isto denota uma apetência pela “abertura intimista dos empreendimentos e preferência pelas tradições e características do destino”, assinala o CEO da ILM-THR.
A opção pelo ambiente de resort não é significativa, até porque apenas 5,7 por cento admitiu ter comprado uma residência num destes projectos. Ainda assim, o número de potenciais proprietários que admitem comprar, no futuro, uma casa num resort é de 18,5 por cento.
O estudo «ILM-THR Residential Tourism Monitor» concluiu ainda que a localização preferida pelos inquiridos para as suas propriedades é a costa, com ou sem vista de mar, “devendo destacar-se a preferência pelo urbano em detrimento do rural, o que nos leva a concluir que os indivíduos valorizam a reabilitação urbana”.
O perfil de lazer é muito semelhante entre proprietários e potenciais proprietários. “É de sublinhar as assimetrias por nacionalidades, nomeadamente os proprietários do Reino Unido e Irlanda serem os que mais se ocupam a jogar golfe. Proporcionalmente, é de referir ainda que o mercado do Benelux é o que mais se dedica às actividades de saúde e bem-estar e valoriza tours organizados, os alemães são os que mais participam em eventos culturais, os escandinavos os que mais referem as idas ao casino como principal actividade de lazer e os portugueses os que mais se dedicam ao desporto”.
Time-share é solução
Este documento descreve também a forma como é feita a primeira abordagem, por este tipo de proprietários, aos produtos imobiliários. Os meios mais utilizados são as visitas ao país, a Internet e a recolha de informação e impressões junto da família e amigos.
Quando questionados sobre outros destinos em que estariam dispostos a comprar uma casa, estes proprietários apontaram países como a Espanha (20,3 por cento dos inquiridos), França, Itália e Grécia. “As principais razões apontadas para a consideração dos referidos países foram o clima, a proximidade da família, o preço e a cultura e populações locais”, frisa aquele responsável.
Depois de analisados os orçamentos considerados para a compra de imobiliário turístico, é possível concluir que “a procura deste produto se encontra nos preços mais baixos, enquanto que a oferta se situa nos preços mais elevados”, pelo que “a solução que nos parece mais adequada para esta limitação é a modalidade de time-share ou outro tipo de regime fraccionado”, assinala Andrew Coutts.
Outro dos objectivos deste estudo foi o de traçar o perfil do potencial proprietário de imobiliário turístico. Assim, concluiu-se que, na globalidade, se trata de um indivíduo mais jovem que o actual proprietário, com família e filhos dependentes, mas com rendimentos mais elevados.
Além disso, verificou-se que os países com mais potenciais proprietários em situação pré-familiar são a França, Benelux, Reino Unido e Portugal. Por seu lado, a Alemanha e Reino Unido são os mais interessados em comprar imobiliário turístico em situação de reforma ou terceira idade.
O perfil de lazer destes indivíduos é praticamente igual ao dos proprietários: ir à praia, repousar ou relaxar, fazer caminhadas a pé, jogar golfe e participar em eventos culturais.
Entrevista a Andrew Coutts
“Mercados tradicionais continuam a ser muito relevantes”
PÚBLICO Imobiliário – Que objectivos nortearam a ILM-THR na realização deste estudo?
Andrew Coutts – O Residential Tourism Monitor é um barómetro de conhecimento inovador promovido pela ILM-THR, que tem como principal objectivo fornecer ‘inteligência’ ao mercado, recolhendo informação actualizada e pormenorizada no âmbito do turismo residencial. O ILM-THR Residential Tourism Monitor 2008 surge no seguimento do Monitor realizado em 2007, ao longo do qual se analisou a procura de turismo residencial, numa perspectiva de caracterização do actual e potencial proprietário de imobiliário turístico no Algarve, englobando os concelhos de Silves, Lagoa, Portimão, Lagos e Vila do Bispo. Assim, pretende-se que o Monitor 2008 venha complementar o anterior, bem como acrescentar valor e competitividade ao mercado, através da análise aprofundada da procura do Central & Eastern Algarve, englobando os concelhos de Albufeira, Faro e Loulé (Central Algarve) e Alcoutim, Castro Marim, Olhão, São Brás de Alportel, Tavira e Vila Real de Santo António (Eastern Algarve).
Os resultados apurados surpreenderam-no de alguma maneira?
Os resultados do Monitor 2008 vieram confirmar as tendências verificadas no Monitor de 2007. Agora com uma visão completa da região do Algarve podemos tirar algumas conclusões sobre tendências mas que não são fracturantes em relação ao que estimávamos ser o perfil do proprietário e potencial proprietário de imobiliário turístico da região. Trata-se da região com maior tradição neste segmento e o que podemos concluir é que os mercados tradicionais continuam a ser muito relevantes como é o caso do Reino Unido, mas que existe uma tendência clara para sermos procurados por um turista residencial mais jovem, menos emotivo na compra, que espera rentabilidade do investimento e que valoriza amenities além do golfe, tradicionalmente o driver de muitos investimentos na região. Os inquiridos demonstraram ser bastante sensíveis ao factor preço, mas continuam a considerar os destinos residenciais tradicionais para efectuar a compra.
O perfil tipo do turista residencial do Algarve é o mesmo que o do turista residencial do resto do país?
Temos vários estudos internos efectuados na sequência de projectos onde temos estado envolvidos em outras localizações do país e o facto é que se trata de um perfil diferente. Isto é absolutamente justificado por vários factores, nomeadamente porque o Algarve é um destino consolidado, servido por carreiras ‘low cost’ para os principais mercados e estas condições são por isso únicas. O que verificamos é que existem outras regiões com potencial e que podem atrair os mercados tradicionais e outros. Os conhecimentos que detemos são pontuais e como referi estão ligados aos projectos em que estamos envolvidos. Todavia, é nossa intenção alargar o Monitor a outras regiões e assim podermos traçar um perfil mais completo do potencial turista residencial, por exemplo da região Oeste. Este é um esforço grande da ILM-THR mas para o qual estamos determinados a dar continuidade.
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