Os Portugueses, ao contrário dos restantes cidadãos europeus, são dos mais vulneráveis à subida dos juros.

20/02/2018

As taxas Euribor, a mínimos históricos, deverão sair de valores negativos este ano. Os Portugueses, ao contrário dos restantes cidadãos europeus, são dos mais vulneráveis à subida dos juros.

A Euribor a seis meses, a mais utilizada nos créditos à habitação em Portugal, está atualmente ao mínimo histórico de -0,278%. Mas este indexante deverá subir para -0,16% no final do ano, segundo as taxas implícitas no mercado e nas estimativas do Montepio. O indexante a seis meses, que está em valores negativos desde novembro de 2015, deverá regressar a níveis positivos já no segundo trimestre do próximo ano, refere o Dinheiro Vivo, tendo por base uma análise de economistas deste banco a que o jornal teve acesso.

Na taxa a 12 meses, a que tem sido mais utilizada nos novos créditos, os juros acima de 0% devem chegar ainda este ano. Tanto as taxas implícitas no mercado como as estimativas do Montepio apontam para um valor de 0,02% no final de 2018. Atualmente está em -0,191%. Já o indexante a três meses apenas deverá regressar a valores positivos no último trimestre de 2019.

Estes mínimos das Euribor permitiram, em termos médios, cortar para metade a taxa de juro implícita no mercado à habitação nos últimos cinco anos. Em 2017, foi de 1,02%, segundo dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE); em 2012 tinha sido de 2,19%.

O início do ciclo de subidas das taxas Euribor pode afetar mais as famílias portuguesas do que as europeias, uma vez que, “de um modo geral, as famílias portuguesas encontram-se muito mais vulneráveis a alterações das taxas de juro de curto prazo do que as congéneres do conjunto da área, dado que uma parte mais significativa dos empréstimos que contraíram no passado foi a taxa variável (isto é, indexada à Euribor)”, avisou o Banco de Portugal no último Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado em dezembro.

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